"Quem é Mayara Amaral?
Minha irmã caçula, mulher, violonista com mestrado pela UFG e um dissertação incrível sobre mulheres compositoras para violão. Desde ontem Mayara Amaral também é vítima de um crime que parece cada vez mais banal na nossa sociedade: o FEMINICIDIO. Crime de ódio contra as mulheres, contra um gênero considerado frágil e, para alguns, inferior e digno de ter sua vida tirada apenas por ser jovem, talentosa, bonita... por ser mulher.
Em nenhuma matéria na imprensa vi essa palavra – feminicídio – talvez porque seja difícil para uma sociedade ter a consciência de que mais uma vez falhou e uma mulher, uma jovem professora de música de 27 anos, foi outra vítima da barbárie de homens que não podem nem serem considerados humanos. Foram três, três homens contra uma jovem mulher.
Um deles, Luis Alberto Bastos Barbosa, 29 anos, por quem ela estava cegamente apaixonada, atraiu-a para um motel, levando consigo um martelo na mochila. Lá, ele encontrou um de seus comparsas.
Em uma das matérias que noticiaram, o crime os suspeitos dizem que mantiveram relações sexuais com minha irmã com o consentimento dela. Para que o martelo então, se era consentido?
Estranhamente, nenhuma das matérias aparece a palavra ESTUPRO, apesar de todas as evidências.
Às vezes tenho a sensação de que setores da imprensa estão tomando como verdade a palavra desses assassinos. O tratamento que dão ao caso me indigna profundamente.
Quando escrevem que Mayara era a "mulher achada carbonizada" que foi ensaiar com a banda, ela está em uma foto como uma menina. Quando a suspeita envolvia "namorado" hiper-sexualizam a imagem dela. Quando a notícia fala que a cena do crime é um motel, minha irmã aparece vulnerável, molhada na praia.
Quando falam da inspiração de Mayara, associam-na com a história do pai e avô e a foto muda: é ela com o violão, porém com sua face cortada. Esse tipo de tratamento não representa quem minha irmã foi. Isso é desumanização. Por favor, tenham cuidado, colegas jornalistas.
Para nossa tristeza, grande parte das notícias dão bastante voz aos assassinos e fazem coro à falsa ideia de que os acusados só queriam roubar um carro. Um carro que foi vendido por mil reais. Mil reais. Um Gol quadrado, ano 1992. Se eles quisessem só roubá-la, não precisariam atraí-la para um motel.
Um dos assassinos, Luís, de família rica, vai tentar se livrar de uma condenação alegando privação momentânea dos sentidos por conta de uso de drogas. Não bastando matar a minha irmã, da forma que fizeram, agora querem destruir sua reputação. Eis a versão do monstro: minha irmã consentiu em ser violada por eles, elas decidiram roubá-la, ela reagiu fisicamente e eles, sob o efeito de drogas, golpearam-na com o martelo – e ela morreu por acidente. Pela memória da minha irmã, e pela de outras mulheres que passaram por esta mesma violência, não propaguem essa mentira! Confio que o Ministério Público não aceitará esta narrativa covarde, e peço a solidariedade e vigilância de todos para que a justiça seja feita.
Na delegacia disseram à minha mãe que uma outra jovem já havia registrado uma denúncia contra Luís por tentativa de abuso sexual... Investiguem! Se essa informação proceder, este é mais um crime pelo qual ele deve responder. E uma prova de como a justiça tem tratado as queixas feitas por nós, mulheres. Se naquela ocasião ele tivesse sido punido exemplarmente, talvez minha irmã não tivesse sofrido este destino.
Foi tudo premeditado: ela foi estuprada por dois desumanos. E em seguida, ela sofreu um homicídio qualificado: por motivos torpes, sem chance de defesa, por meio cruel, em emboscada, contra uma mulher que tinha uma relação afetiva com um dos assassinos. E só então levaram seus poucos pertences. Parem de tentar qualificar o caso como um roubo seguido de morte (latrocínio), como se fosse o roubo a motivação maior dessa barbárie!
O terceiro comparsa – não menos monstruoso – ajudou a levar o corpo da minha irmã para um lugar ermo, e lá atearam fogo nela, como se a brutalidade das marteladas no crânio já não fosse crueldade demais. Minha irmã foi encontrada com o corpo ainda em chamas, apenas de calcinha e uma de suas mãos foi a única parte de seu corpo que sobrou para que meu pai fizesse o reconhecimento no IML.
“Parece que ela fazia uma nota com os dedos”, disse meu pai pelo telefone.
A confirmação veio logo depois, com o resultado do exame de DNA. Era ela mesmo e eu gritei um choro sufocado.
Eu vou dedicar o meu luto à memória da minha irmã, e a não permitir que ela seja vilipendiada pela versão imunda de seus algozes. Como tantas outras vítimas de violência, a Mayara merece JUSTIÇA – não que isso vá diminuir nossa dor, mas porque só isso pode ajudar a curar uma sociedade doente, e a proteger outras mulheres do mesmo destino."
Fonte: Pauliane Amaral/Facebook.
sexta-feira, 28 de julho de 2017
sábado, 8 de julho de 2017
GPLV faz reunião de julho no dia 29
Ficam convocados os integrantes do Grupo de Pesquisa Literatura e Vida, GPLV, e convidados os demais interessados, para reunião do GPLV no dia 29 de julho, sábado, no Câmpus 1 da UFMS de Três Lagoas, das 8:30h às 11h30, para discutirem e deliberarem sobre a seguinte pauta:
1. Informes;
2. 9º Seminário do GPLV, a ser realizado no Câmpus 1 da UFMS de Três Lagoas nos dias 25, 26 e 27 de outubro de 2017;
3. Seminário Escrita Feminina, a ser realizado no CPAN, em Corumbá, nos dias 5, 6 e 7 de outubro.
4. Debate: Literatura e Ciência nas crônicas de Marcelo R. L. Oliveira.
5. Eventos e publicações no 2º semestre de 2017.
Três Lagoas, 06 de julho de 2017.
Rauer Ribeiro Rodrigues/Líder do GPLV
Eunice Prudenciano de Souza/Co-Líder do GPLV
terça-feira, 6 de junho de 2017
PROF. RAUER ORGANIZA DUAS MESAS COORDENADAS SOBRE LITERATURA NA SEMANA DE LETRAS
O Prof. Rauer Ribeiro Rodrigues, responsável neste
semestre por três disciplinas de literatura contemporânea nas duas habilitações
do Curso de Letras do Câmpus do Pantanal da UFMS, organizou duas mesas na
Semana de Letras que ocorre nesta semana, de 5 a 9 de junho, em Corumbá. As mesas serão simultâneas e acontecerão a partir
das 20h40 do dia 8 de junho. Em uma delas haverá comunicação sobre a obra do
poeta Manoel de Barros; nas duas mesas, teremos comunicações sobre Alciene
Ribeiro e sobre Luiz Vilela.
Eis as
mesas:
Mesa 1 - A Arte do
Conto, da Novela, do Romance e da Poesia
Coordenador: Lucas Rodrigues Neves
(Mestrando
PPG-Letras CPTL/UFMS)
[lucas_neves_1988@hotmail.com;
67-9.9989-6249]
a. Regmar
Fátima Yovio de Souza: A nomeação das personagens em
dois contos de Alciene Ribeiro
b. Cibele
Fátima do Prado: A arte da novela em Filho de
Pinguço, de Alciene
Ribeiro
c. Sindy
Ellen de Luca Araújo: Aspectos do romance de formação
na obra de Alciene Ribeiro
d. Heloísa
Fernandes de Carvalho: A construção da protagonista no
conto
“Mais-que-perfeita”, de Alciene Ribeiro
e. Jéssica
da Silva e Mariana da Silva Santos: O espaço urbano de
Corumbá recriado na poesia de Manoel de
Barros
f. Lucas
Rodrigues Neves: A nomeação das personagens no conto
“Espetáculo de fé”, de Luiz Vilela
Mesa 2 - A Literatura, o Ensino e a História
Coordenadora: Luciene Lemos de Campos
(Mestre em
Estudos Fronteiriços/CPAN)
[lucienelemos10@yahoo.com.br;
67-9.9226-3669]
a. Queli
Cristina Ribeiro: Contos de Luiz Vilela em sala de aula –
uma lagartixa nas asas de uma andorinha
b. Letícia
Alvarez Mendes: Características de uma narrativa de
formação feminina em O mágico de
olho verde, de Alciene Ribeiro
c. Giselly
Dias Mariano: Educadoras: pioneiras da Escola Nova
d. Nathalia
Soares Fontes: A literatura como prática emancipatória
e. Fabiano
Quadros Rückert: Representações da pobreza na
literatura brasileira: um campo de estudos
f. Luciene
Lemos de Campos: A Literatura no Ensino Fundamental
segunda-feira, 5 de junho de 2017
GPLV faz sua reunião de junho no dia 10
Ficam convocados os integrantes do Grupo de Pesquisa Literatura e Vida, GPLV, e convidados os demais interessados, para reunião do GPLV no dia 10 de junho, sábado, no Câmpus 1 da UFMS de Três Lagoas, das 9h às 11h30, para discutirem e deliberarem sobre a seguinte pauta:
1. Informes;
2. Seminário do GPLV “Simpósio Escrita feminina”, a ser realizado no Câmpus do Pantanal da UFMS nos dias 05, 06 e 07 de outubro de 2017;
3. 9º Seminário do GPLV, a ser realizado no Câmpus 1 da UFMS de Três Lagoas nos dias 25, 26 e 27 de outubro de 2017;
4. Anais do 8º Seminário do GPLV e dos 50 anos de Tremor de Terra;
5. Leitura de novela de Marcelo R. L. Oliveira.
Três Lagoas, 05 de junho de 2017.
Rauer Ribeiro Rodrigues/Líder do GPLV
Eunice Prudenciano de Souza/Co-Líder do GPLV
terça-feira, 23 de maio de 2017
Pesquisadores do GPLV apresentam comunicações na UFMS de Corumbá
Na Semana de Letras do Câmpus do Pantanal da UFMS, em Corumbá, que acontecerá de 5 a 9 de junho, pesquisadores ligados ao GPLV participam de duas mesas coordenadas; em uma delas haverá comunicação sobre a obra do poeta Manoel de Barros; nas duas mesas, teremos comunicações sobre Alciene Ribeiro e sobre Luiz Vilela. As mesas serão simultâneas e acontecerão a partir das 20h40 do dia 8 de junho.
Veja, abaixo, a programação das duas mesas, e, no final, o link para a programação completa do evento.
A Arte do Conto, da Novela, do Romance e da Poesia
Coordenador: Lucas Rodrigues Neves (Mestrando PPG-Letras CPTL/UFMS)
[lucas_neves_1988@hotmail.com; 67-9.9989-6249]
a. Regmar Fátima Yovio de Souza: A nomeação das personagens em dois contos de Alciene Ribeiro
b. Cibele Fátima do Prado: A arte da novela em Filho de Pinguço, de Alciene Ribeiro
c. Sindy Ellen de Luca Araújo: Aspectos do romance de formação na obra de Alciene Ribeiro
d. Heloísa Fernandes de Carvalho: A construção da protagonista no conto “Mais-que-perfeita”, de Alciene Ribeiro
e. Jéssica da Silva e Mariana da Silva Santos: O espaço urbano de Corumbá recriado na poesia de Manoel de Barros
f. Lucas Rodrigues Neves: A nomeação das personagens no conto “Espetáculo de fé”, de Luiz Vilela
A Literatura, o Ensino e a História
Coordenadora: Luciene Lemos de Campos (Mestre em Estudos Fronteiriços/CPAN)
[lucienelemos10@yahoo.com.br; 67-9.9226-3669]
a. Queli Cristina Ribeiro: Contos de Luiz Vilela em sala de aula – uma lagartixa nas asas de uma andorinha
b. Letícia Alvarez Mendes: Características de uma narrativa de formação feminina em O mágico de olho verde, de Alciene Ribeiro
c. Giselly Dias Mariano: Educadoras: pioneiras da Escola Nova
d. Nathalia Soares Fontes: A literatura como prática emancipatória
e. Fabiano Quadros Rückert: Representações da pobreza na literatura brasileira: um campo de estudos
f. Luciene Lemos de Campos: A Literatura no Ensino Fundamental
sexta-feira, 19 de maio de 2017
GPLV faz sua reunião de maio no dia 25
EDITAL DE CONVOCAÇÃO DE REUNIÃO DO GPLV
Ficam convocados os integrantes do Grupo de Pesquisa Literatura e Vida, GPLV, e convidados os demais interessados, para reunião do GPLV no dia 25 de maio, quinta-feira, no Câmpus 1 da UFMS de Três Lagoas, das 17h15 às 18h45, para discutirem e deliberarem sobre a seguinte pauta:
1. Informes;
2. Organização do Seminário do GPLV "Simpósio Escrita feminina", a ser realizado no Câmpus do Pantanal da UFMS nos dias 05, 06 e 07 de outubro de 2017;
3. Organização do 9º Seminário do GPLV, a ser realizado no Câmpus 1 da UFMS de Três Lagoas nos dias 25, 26 e 27 de outubro de 2017;
4. Compartilhamento das atividades realizadas pelos integrantes do GPLV no
IX Colóquio Mulheres em Letras: Cartografias do Corpo
FALE, UFMG, Belo Horizonte, 31 de maio, 01 e 02 de junho de 2017.
OBS: Haverá reunião de orientação para pesquisas em andamento no sábado, das 8h às 12h, no Câmpus 1 da UFMS de Três Lagoas.
Três Lagoas, 18 de maio de 2017.
Rauer Ribeiro Rodrigues/Líder do GPLV
Eunice Prudenciano de Souza/Co-Líder do GPLV
quarta-feira, 3 de maio de 2017
Integrante do GPLV publica artigo na Revista Itinerários
A doutoranda em Letras da UFMS/CPTL e participante do Grupo de Estudos Literatura e Vida Pauliane Amaral publicou artigo intitulado “A CONSTRUÇÃO DA IDENTIDADE DO AUTOR EM J. M. COETZEE E ENRIQUE VILA-MATAS” na Revista Itinerários, n. 42, vinculada ao Programa de Pós-graduação em Estudos Literários da Unesp/Araraquara (Qualis 2015: B2).
Em seu artigo a pós-graduanda faz um estudo comparado, tratando das diferenças na formação da identidade da figura do autor a partir da análise dos romances Verão (2009), de J. M. Coetzee e Doutor Pasavento (2005), de Enrique Vila-Matas. Com estratégias distintas, esses dois escritores abordam a impossibilidade de se atribuir uma única identidade ao autor, mostrando que todo o processo de formação identirária é uma construção e que a literatura contemporânea soube incorporar a discussão sobre o que forma a figura de um escritor tanto em sua forma quanto em seu conteúdo.
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| J. M. Coetzee e Enrique Vila-Matas. |
Abaixo o resumo do trabalho:
Esse trabalho expõe as estratégias da construção da identidade autoral a partir da análise das narrativas de dois romances contemporâneos que brincam com os limites da ficção autobiográfica: Verão (2009), de J. M. Coetzee e Doutor Pasavento (2005), de Enrique Vila-Matas. Enquanto a narrativa do primeiro romance se volta para a construção póstuma da identidade do autor através da coleta de depoimentos e consulta a cadernos de anotações deixados pelo fictício escritor, a narrativa de Vila-Matas agrega uma estrutura ensaística a elementos temáticos recorrentes na obra do escritor espanhol (como a autorreferência, a citação de outros textos literários, o tema do desaparecimento do escritor e a cessação da escrita – apelidada de Síndrome de Bartleby). Nossa leitura indica que esses dois romances ilustram a impossibilidade de encerrar uma identidade única de autor e que uma saída encontrada pela literatura contemporânea é incorporar em sua estrutura narrativa elementos que compõem essa aporia.
PALAVRAS-CHAVE: Depoimento. Ensaio. Ficção autobiográfica.
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